Pois é, tal da vagabundice me resultou nisso.
Comecei analisar a minha vida musical e consegui perceber bastante coisa, inclusive que além do velho ditado “errando que se aprende”, vejo ainda que tudo tem a sua fase certa, e passa, muda, renova.
É incrivel a quantidade de músicas que ouço por dia aqui em casa! A tarde inteira, tirando os momentos de comer, ganhar carinho, receber visitas, tomar banho, atender telefone, ver algum programa na tv (geralmente relacionado a música), etc. Nas viagem recorro ao IPOD, nos trajetos pela cidade o som do carro e na falta de tudo, eu canto (bem mal inclusive).
Sou assim com a música desde pequena, antes do mp3, de ouvir música na internet, no celular e de toda essa tecnologia.
Tudo pra mim, cada fase, cada acontecimento, cada pessoa, está relacionado a uma música, uma trilha sonora.
Quando eu era bebezinha o meu avô Orlando ficava comigo na sala fazendo carinho nas minhas pernas e cantando todas as músicas de criança que ele sabia. Contava histórias, representava e ainda ficava tirando sarro das letras da músicas, me fazendo dar boas risadas.
Na época que eu era criança, minha mãe tinha costume de colocar Xuxa, Balão Mágico e Trem da Alegria na vitrola do meu quarto ou até mesmo na sala e dançava e cantava comigo no colo durante a tarde inteira.
Os bailinhos da minha irmã era regado pela trilha de “Take My Breath Away” que até hoje quando ouço me vem toda aquela turminha na cabeça. Quando chegou a vez dos meus bailinhos o tema mudou para Bon Jovi e acredite, “Estou Apaixonado” de João Paulo & Daniel; e quanta coisa já aconteceu ao som dessa música ai ai ai….Depois veio a fase dos Axés, de É O Tchan, Banda Eva, entre outros. Nessa época eu fiz 15 anos e foi uma delicia porque todos na festa ficavam lá dançando, tanto meninos como meninas. Minha professora de Expressão Corporal da escola foi e ficava dançando e o povo tudo dançando igual; só sei que tinha horas que até as bisas estavam lá de pé mexendo o esqueleto e tentando copiar a coreografia. Aí, veio a época triste dos pagode dor de cotovelo, com nomes como Só Pra Contrariar (gosto até hj) cantando “O que é que eu vou fazer com essa tal liberdade…”, Exaltasamba dizendo “Eu me apaixonei pela pessoa errada…”, e outros nessa categoria.
Depois da Era Nostre (Nostre é onde estudei da 1a a 5a série), veio a Era Stella Maris, onde ainda carreguei um pouquinho do pagode; mas logo passei a conhecer mais coisas bacanas, que eu nem era tão viciada mas comecei a ouvir de leve, como Marisa Monte, Ana Carolina, Titãs, Paralamas, Celine Dion, Hanson, BSB, Shania Twain, Mariah Cary, que embalaram reuniões na casa da galera, viagens pra Atibaia e muitas histórias de amor começaram ao som dessa pequena listinha aí…
Finalmente acabei chegando em Sandy & Junior, que foi um grande marco na minha vida, diria um divisor de águas. Quando passei a ouvir a dupla tudo na minha vida ganhou uma nova visão, um novo rumo e até o ciclo de amizade deu um giro, sobrando apenas aqueles que serão pra sempre, independente do som que a banda toque.
Ouvindo Sandy & Junior eu passei a ir aos shows, conhecer gente nova, aprender a lidar melhor com computador e aprender a ter e-mail, daí o pessoal falava de um tal ICQ e aí que eu fui conhecendo melhor, e mesmo assim toda aquela coisa virtual me assustava, eu só pensava mesmo em sair com os amigos e ir em show da dupla, só usava mesmo pra saber as novidades. Ao mesmo tempo eu passei a ouvir a “rival” Wanessa Camargo e comecei a gostar bastante e querer saber sempre mais, nunca chegando a euforia Sandy & Junior.
E com tudo isso alguns personagens foram mudando, com o tempo (depois da foooorte euforia) passei a parar de ir em shows, de correr atras e comecei a ouvir mais intensamente Ana Carolina, Nando Reis, Paulinho Moska, Capital Inicial, conheci melhor Engenheiros do Hawai, fui marcada por “Rama” do Tianastácia e passei a gostar de muitas outras deles, adorei “Vou Deixar” do Skank e enfim, foi o tempo das bandas de pop roc e dos amigos músicos.
Teve outro divisor de águas e que vai ficar registrado pra sempre na minha memória como se tivesse sido um sonho bom, daqueles que você não quer mais acordar. Foi LS Jack. Uma fase de muitos acontecimentos, alegrias incalculáveis e problemas drásticos. A música deles era minha reza e vê-los era uma benção toda vez. Passei a crer (acreito até hj) que eles renovavam minhas energias e sempre que os via tudo na minha vida ia bem. Até que rolou o acidente com o Marcus, primeira vez que choro por um acidente com artista. Chorei muito como se fosse um amigo, um alguém da família e até hoje me emociono com as novidades sobre esse cara iluminado.
Depois da febre de bandas (ñ que tenha acabado), passei a curtir Jeito Moleque que me faz relembrar minha fase pagodeira, mas em uma nova roupagem, novo cenário e personagem. Na mesma época amigos novos me acrescentaram Reverse, Mestre Duka, Houdini, Autoramas, Armandinho, Chimarruts e passei também ver esse lado mais Forro e Reggee… E, todos esses citados continuam e vão continuar muito tempo ainda no meu IPOD e no meu WMP.
Com a faculdade eu fui amadurecendo e aprendendo a valorizar mais ainda o que é meu, e a ouvir coisas realmente interessntes. Então veio aquela fome de MPB e rolou/rola Chico Buarque, Caetano, Paulinho Moska, Zeca Pagodinho, Lenine, Djavan, Leoni, Nando Reis, Zeca Baleiro e outros que ainda continuam até hoje e pode ter certeza que vão continuar pra vida toda.
Mas como música é o assunto que me chama atenção, uma das coisas que eu sempre faço quando estou conhecendo pessoas é perguntar o que elas escutam e caso eu não conheça, gosto de ouvir pra ter uma opinião e um assunto pra debater. Foi o que houve e aí passei a ouvir Leela e Penelope que eu nunca ouvia e aumentei meu estoque de Nenhum de Nós, Leoni, e Biquini Cavadão. Amigos velhos e os nem tão velhos assim me ensinaram a ouvir DMB, Funk, Chiclete, Inimigos da Hp, e sozinha eu também fui me atraindo por Coldplay e Seu Jorge.
Com alguns probleminhas e a noção de que eu estava prestes a entrar em uma depressão profunda, passei ouvir O Rappa, que é o que diz exatamente o que me fez levantar e reencontrar aquela Iza la do passado que odiava PC e ouvia diskman e o sonzinho da sala. Mas dessa vez melhorada, madura musicalmente e psicologicamente.
Aprendi com a minha ex-cunhada a gostar de uma “coisa” chamada Teatro Mágico
Depois me reencontrei com a MPB que vai ser sempre o meu grande tesouro musical. Passei a ouvir Toquinho, Bethania, Gal Costa, me apaixonei pela zoação do Bezerra da Silva, pelas dores de Vinicius de Moraes e pela majestade Tom Jobim. E, ainda nessa onda e sozinha, eu conheci Monobloco, fui introduzida pela namorada de um amigo meu ao Oswaldo Montenegro e outra perolas maravilhosas.
Com um jovem velho amigo meu acabei aprendendo a ouvir mais e melhor a Elis Regina que, eu nunca gostei muito. Mas tamanha foi a insistencia dele que acabei cedendo, e ele soube exatamente as músicas certas pra me fazer ouvir e gostar e assim acabar ouvindo tantas outras. Não sou fanática por Elis e nem sou ouvinte assídua, mas já consigo ter meus dias “Only Elis”.
Apesar de ter um pouco de xenofobia, estou aprendendo ouvir coisas diferentes, tanto categoria “bom”, como da categoria “muito bom”, e uns exemplos desses são Steve Vai, através de um amigo de longe mas com um gosto musical bastante interessante, The Corrs introduzido por um amigo de não tão longe mas que não vejo há um longo tempo. Aprendi a gostar de Pain Of Salvation, sendo “lecionada” por um amigo aqui de pertinho e de Spin Doctors por um amigo de bem longe.
E, se me perguntarem, atualmente estou ouvindo eu poderei dizer que sempre ouço de tudo um pouco do que tenho arquivado, mas posso destacar Pain Of Salvation, O Teatro Mágico, Arnaldo Antunes e voltei a dar uma escutada em Kid Abelha e Tianastácia.